segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Os vizinhos do lado


A Voz do Local. E se de um momento para o outro alguém gritar “É pá! anda daí, quero conhecer-te melhor!” estaremos a viver uma fase primordial da estratégia DLBC. Isto na óptica de quem associa, na sua acção prática desenvolvimento local e animação territorial (a opinião da Ana Quintela). (CR)

A comunidade voltou a ter os holofotes voltados para si num contexto em que existe uma orientação europeia para atribuição de financiamento, baseada no que as próprias comunidades entendem ser as suas prioridades. Esta situação exige que moradores, organizações locais e entidades públicas definam consensos para os objetivos de desenvolvimento de um território e comunguem das estratégias para os alcançar.


Reforçar a intercooperação
O acesso a financiamento no âmbito dos fundos europeus, passou a privilegiar uma visão comum e um planeamento estratégico partilhado, ou seja, é necessário que todos os atores de um território reforcem a sua inter-cooperação. Se esta situação traz, por um lado, novas exigências à intervenção, por outro lado, cria novas oportunidades para as comunidades pensarem e agirem sobre si. Assim, de um instante para o outro, todos sentimos a necessidade de nos conhecer mais, articular melhor, fazer projetos juntos, e acima de tudo, definir estrategicamente um plano (de desenvolvimento) comum. Ora o desafio torna-se ainda maior, quando em certos casos, e apesar de geograficamente próximos ou de termos o mesmo foco de intervenção, nem sempre conhecemos os “vizinhos do lado”, e portanto, a leitura (e intervenção) do território, como um todo, fica fragilizada.

Oportunidade única
Lisboa tem neste momento uma oportunidade única para, todos juntos (moradores, associações, autarquias, empresas, instituições de ensino superior, etc), refletirmos sobre um projeto comum para a Cidade, que resulta da própria cidade. Mais, todos juntos podermos fazer com que esse projeto aconteça.

Mas, como garantir a participação ativa daqueles com quem e para os quais o projeto é pensado?

Parece importante apostar numa estratégia de “Animação territorial”, definida como:
    Elemento impulsionador do envolvimento das comunidades nos assuntos locais;
    Promotora da interação entre pessoas, grupos, entidades de um território específico, que se mobilizam face a uma temática comum;
     Reforço das competências locais, facilitando a identificação de oportunidade e a conceção de soluções inovadoras e ajustadas a cada território concreto.

Circuitos de comunicação diversificados
Para conseguir o envolvimento das comunidades, num contexto Rede DLBC Lisboa, é necessário garantir, primeiro, que a diversidade dos seus membros/associados é usada de forma positiva, ou seja, urge criar circuitos de passagem de informação diversos, por forma a chegar a crianças, jovens, idosos, desempregados, imigrantes, etc.
Há que tirar vantagem em relação à dimensão das organizações e da sua relação de proximidade com os vários públicos, dando destaque à intervenção de todos os atores, desde a pequena associação de bairro, à autarquia local. A aplicação dos recursos institucionais deve ser aproveitada em todas as suas dimensões, sendo fundamental para um processo verdadeiramente partilhado e participado, tanto a assembleia de bairro, como a existência de uma plataforma eletrónica on-line.
Os 5 passos de Wilcox
Mas antes de se avançar para a estratégia de operacionalização, importa primeiro assegurar que todos os atores, sejam eles institucionais ou individuais, têm garantidas as condições para a sua participação. De acordo com David Wilcox[1], existem 5 passos para a participação:
       i.  Divulgar a informação por todos os envolvidos: garantindo que todos têm conhecimento do que está em causa;
     ii.   Consultar: permitindo que todos possam dar a sua opinião sobre os temas em questão;
    iii.   Decidir em conjunto: o que exige definição de prioridades e consensos;
    iv.    Agir em conjunto: o que pressupõe a definição de um plano de ação, com identificação de responsáveis e calendário para a concretização de cada uma das atividades
Animação territorial integrada
Após estarem garantidos os passos anteriores, estão assim reunidas as condições para v) apoiar os interesses da comunidade. É também nesta fase que o apoio técnico e monitorização das atividades (via Rede DLBC Lisboa), assume um papel fundamental.
Torna-se evidente o enorme desafio que a Rede DLBC tem à sua frente. A definição de uma estratégia de animação territorial integrada, que combine, simultaneamente, uma intervenção dirigida para as comunidades, tendo em conta se os atores são institucionais (organizações localizadas ou que intervém num dado território), ou individuais (moradores, trabalhadores ou pessoas que usam um determinado território), parece ser fundamental para garantir o sucesso de “uma estratégia de desenvolvimento local que corresponda às expectativas, vulnerabilidades e desafios da nossa cidade”[2].



[1] Wilcox, David (1994), “Guide to Effective participation”, Joseph Rowntree Foundation
[2] A Rede Desenvolvimento Local para a cidade de Lisboa, in http://rededlbclisboa.blogspot.pt/2015_04_01_archive.html

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